O evento, promovido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), destacou a atuação de agentes territoriais, além de definir os próximos passos para consolidação da política no país.
Depois de três dias de debates, articulações e trocas de experiências, terminou a quarta-feira (27) o 1º Encontro Nacional do Programa Paul Singer, promovido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O evento reuniu os 580 profissionais que compõem o corpo técnico e os parceiros institucionais do programa, além de representantes de entes públicos, para discutir estratégias de fortalecimento das políticas de Economia Popular e Solidária no país. As atividades começaram no dia 25, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, e tiveram continuidade nos dias 26 e 27 no Centro Técnico Educacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, em Luziânia (GO).
O secretário nacional de Economia Popular e Solidária, Fernando Zamban, destacou o papel estratégico dos agentes territoriais do Programa Paul Singer na reconstrução das políticas públicas da economia solidária no país. Segundo ele, os cerca de 500 agentes atuam diretamente em comunidades rurais, urbanas, aldeias e periferias — territórios historicamente menos alcançados pelas políticas públicas do Estado. “Os agentes trazem muitos desafios: anos de ausência de políticas públicas, dificuldades de acesso ao mercado, crédito, finanças, redes de organização e ao mundo do trabalho. Mas a economia solidária tem respostas para muitas dessas questões. É um processo de longo prazo, mas já temos conquistas importantes que devolvem aos territórios uma perspectiva diferente de vida”, afirmou o secretário.
Programa Paul Singer
Lançado em 2024, o Programa de Formação Nacional Paul Singer – Agentes de Economia Popular e Solidária tem como objetivo retomar o compromisso do Estado com a reconstrução da política pública de Economia Popular e Solidária, como estratégia de inclusão social e desenvolvimento socioeconômico. A iniciativa conta com 500 agentes territoriais distribuídos nos 26 estados e mais o Distrito Federal, sob a supervisão de 54 coordenadores estaduais, e tem como parceiros a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Até maio de 2026, os agentes já realizaram 36.211 ações, alcançando diretamente 226.101 pessoas em 1.080 municípios. A maior concentração de atuação está na região Nordeste, com presença em 402 cidades, seguida pelo Sudeste (287) e pelo Sul (219).
Nos territórios, os agentes têm desempenhado papel estratégico na organização e fortalecimento de empreendimentos solidários. A coordenadora estadual do programa no Amapá, Maria Sonale de Queiroz, destacou que a metodologia de trabalho prioriza a escuta ativa e o acompanhamento contínuo. “É a partir dessa escuta e acompanhamento que nós conseguimos observar as necessidades dos empreendimentos solidários e fortalecer o território”, explicou. No Amapá, as iniciativas se concentram principalmente nos setores de agricultura familiar, extrativismo e artesanato, considerados fundamentais para a economia local.
Presente no evento, a secretária-geral da Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol), Magda Almeida, enfatizou a relevância da política, especialmente entre mulheres negras. “A economia solidária é transformação de vida. Ela fortalece empreendimentos que já existiam e cria novos, trazendo esperança e autonomia, principalmente para mulheres que enfrentam o racismo e o feminicídio. Esse programa é uma oportunidade única de reconstrução e reconhecimento da importância da economia solidária em nível nacional”, afirmou.
Próximos passos
O programa entra agora em uma etapa de consolidação e institucionalização da política pública, como a implementação da Lei Paul Singer (Lei nº 15.068/24) edo Sistema Nacional de Economia Solidária, a ampliação e articulação interministerial e a atualização do Cadastro Nacional de Empreendimentos Econômicos Solidários (Cadsol), ferramenta que subsidia a criação de novas políticas públicas no setor.
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Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)