Agricultura familiar de Alagoas potencializa a produção de coco na região

Foto tirada em dezembro de 2019, antes da pandemia da Covid-19.

A Coopaiba (Cooperativa dos Agricultores Familiares e dos Empreendimentos Solidários), com sede em Piaçabuçu, em Alagoas, tem realizado um trabalho diferenciado em prol da geração de renda com a cultura do coco.

A cooperativa é associada à Unicafes (União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária), uma das centrais afiliadas à Unicopas (União Nacional das Organizações Cooperativistas Solidárias).

A produção da cooperativa, através do fornecimento de 64 mil toneladas de óleo de coco bruto para empresas de biodiesel habilitadas no Selo Biocombustível Social, ajudou na recuperação de 400 hectares fragilizados pela seca de 2015. De acordo com o presidente da Coopaiba e diretor financeiro da Unicafes Nacional, Antonino Cardoso, foram replantados 68 mil coqueirais nas regiões de Piaçabuçu, Feliz Deserto e Igreja, o que impactou na geração de renda de 1.200 produtores.

“A Coopaiba passou a brigar por competitividade e incentivos fiscais para a atividade. O produtor alagoano passou a ser mais competitivo frente ao produto internacional. Essa retomada foi possível graças a essa política, a implantação da cultura do replantio e à essa estruturação do setor, com medidas sustentáveis para o produtor e para a indústria”, comenta.

Investimento nas juventudes e educação ambiental

Além de potencializar a produção de coco na região em harmonia com o meio ambiente, a Coopaiba também investe em ações com as juventudes ao mesmo tempo em que proporciona educação ambiental para a comunidade local.

Jovens conheceram o trabalho da cooperativa em dezembro de 2019, durante Encontro Regional das Juventudes Unicopas – Região Nordeste.

Um exemplo é o projeto “De olho no Óleo”, que organiza um sistema comunitário de coleta de resíduo de óleo vegetal domiciliar em que os jovens são os responsáveis pela coleta, pelo cadastro de moradores e pela distribuição de coletores individuais. Além disso, eles realizam processos de educação com a população, elaboram relatórios, fazem a divulgação do projeto nas redes sociais, entre outras atividades. “Contribuindo com essa ação, eu estou contribuindo com o meio ambiente. O óleo que descartamos de forma errada em casa acaba matando os peixes e a gente sofria muito com isso. Quando íamos tomar banho no rio, por exemplo, sempre tinha uma barreira de óleo e hoje a gente pode mergulhar tranquilo porque a gente já coletou o óleo que antes era descartado nos rios da região”, conta Pedro Vinícius Nascimento dos Santos, de 17 anos. Os óleos coletados são transformados em sabão ecológico.

Sua colega, Lucienny Silva do Nascimento, 16 anos, destaca o “Mães que alimentam”, um projeto de formação e empoderamento que atende mais de 200 mulheres do município. Uma vez por mês, elas vão até a cooperativas para produzirem cerca de 250 bolos. Pelo trabalho realizado, recebem um incentivo financeiro. Muitas delas deixaram de receber o Bolsa-família e não tinham fonte de renda. “Que a gente possa abrir os olhos para a questão da mulher. Que a gente possa crescer enquanto cooperativa”, deseja Lucienny. Tantos os bolos quanto os sabões ecológicos retornam para a comunidade em forma de doação.

Com informações de Daiane Benso/Ascom Unicafes Nacional