O que a Economia Popular e Solidária pode esperar de ações, projetos, investimentos e fomento, avanços e inovações em 2026? A resposta à questão foi central no Encontro com a Senaes, primeira live da Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária, na última sexta (30), conduzida pelos diretores, Fernando Zamban (Departamento de Parcerias e Fomento da Senaes), e Sérgio Godoy (Departamento de Formação, Estudos e Pesquisas da Senaes), sob mediação da coordenadora de Projetos da Senaes, Antônia Vanderlúcia de Oliveira Simplício.
A resposta, entretanto, não pode ser resumida em poucas palavras, porque os projetos são inúmeros. Mas se fôssemos sintetizar, a Economia Popular e Solidária pode esperar muito, pode esperar mais! Foi esse o tom do anúncio das iniciativas da Senaes no evento. Na abertura da live, a coordenadora de projetos afirmou que a expectativa da Senaes é de um ano com grande êxito, com muitas batalhas e, também, com muitas conquistas para a agenda da Ecosol.
Sementes de 2025
O diretor, Fernando Zamban, fez um histórico dos avanços de 2025, destacando o quanto a Senaes caminhou, com apoio de diversos parceiros. Citou a realização da 4ª Conferência Nacional de Economia Solidária (Conaes), que teve a participação de mais de 16 mil pessoas em todo o país. Disse que a Conaes coloca agora a necessidade da construção do 2º Plano Nacional de Economia Popular e Solidária, documento que será um instrumento para as negociações com os municípios e estados. De acordo com o diretor, outra vitória foi a Regulamentação da Lei Paul Singer, com apoio do Conselho Nacional de Economia Popular e Solidária; que traz novos desafios. Um deles é a discussão da tributação dos EES (Empreendimentos de Economia Solidária) para garantir e potencializar o desenvolvimento do setor. Zamban ainda apontou o Programa Paul Singer – Agentes de Economia Popular e Solidária como a principal agenda da Senaes em 2025 e seu papel estratégico em trazer subsídios dos territórios para aplicação de investimentos, com resultados imediatos, como a realização do Edital Público para Redes de Cooperação Solidária, que destinou cerca de R$ 15 milhões para a Economia Popular e Solidária, beneficiando 12 redes, em diversos estados do país. Sobre o Paul Singer, Vanderlúcia Oliveira complementou que o Programa vivencia a segunda fase de imersão dos agentes nos territórios, após período de formação de todas as turmas no final do ano passado.
Nesta etapa, ela explica, os agentes estão em campo, fazendo a leitura dos empreendimentos nos territórios e mapeando dados que vão colaborar na construção de políticas públicas para o setor e no levantamento de demandas que exigem respostas do Governo. Ressaltou a boa relação e atuação integrada dos agentes do Paul Singer com demais agentes do Governo Federal, como o AgPopSUS, Cozinhas Solidárias, MDA, entre outros.
A coordenadora anunciou ainda para o Paul Singer, o 2º Encontro de Coordenadores Estaduais para o planejamento das novas etapas, em março, em Brasília. E para os agentes do Programa, um grande encontro nacional para maio de 26. Zamban destacou outros progressos da Senaes no campo legal, como a aprovação na Comissão de Finanças e Tributação da Lei para regulamentar as Moedas Sociais no Brasil. Agora, deve seguir para a Comissão de Constituição e Justiça e, em seguida, para o Senado Federal, com expectativa de aprovação no segundo semestre de 2026;
- O Projeto de Lei que inclui a Economia Popular e Solidária no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), já aprovado no Senado, e que precisará avançar neste ano na Câmara de Deputados para depois chegar à sanção presidencial;
- A aprovação de Normativas do Conselho Nacional de Economia Popular e Solidária (CNES), com a participação dos empreendimentos, cooperativas, federações etc. Informou ao público que o Conselho retomará suas atividades na próxima quinta (5), virtualmente; e a reunião presencial já está confirmada para os dias 25 e 26 de fevereiro.
2026 Sserá de entregas
O diretor Sérgio Godoy afirmou que chegamos em 2026 com muitos resultados,superando os desafios orçamentários; e definiu 2026 como um ano de entregas. “Já colhemos muito com o trabalho de Sistematização dos nossos 500 agentes e caminhamos para a consolidação metodológica do Programa Paul Singer, tendo a Educação Popular como indutora dos processos”. Ele esclareceu que a Sistematização envolve a leitura do mundo, a leitura da realidade dos empreendimentos e a leitura dos territórios.
Outro processo importante que ele destaca é o uso de ferramentas digitais livres pelo Programa Paul Singer, que garantem soberania digital a todo banco de dados e acervo. “Todo esse conjunto de dados poderá ser usado para políticas públicas. E as informações poderão ser somadas com os dados do CADSOL, ampliando a leitura da realidade”, acrescentou. Godoy defendeu que “cada agente do Paul Singer será um indutor de processos de comunicação popular, ampliando diálogos, levando política públicas para as comunidades e fortalecendo a participação popular.
Um ano para mobilizações
Segundo o diretor, o ano será ainda tempo de mobilizações para pressionar por mais recursos e para articulação com entes federativos (integração com o AgPopSUS, os Comitês de Cultura, as Cozinhas Solidárias, como a Educação, com a Agricultura Familiar, entre outros). “Essa integração já vem sendo articulada pela Secretaria Geral da Presidência da República e está cada vez mais fortalecida.”
Assessoramento e formação
Uma das mais novas iniciativas que a Senaes colocará em prática será o Programa Educar e Cooperar, que ganhou novo nome: Estratégia Nacional de Formação de Agentes e Fortalecimento das Redes de Economia Popular e Solidária. Esse projeto vai formar “formadores” para levar ferramentas de gestão, contabilidade popular, técnicas econômicas para fortalecer os empreendimentos de Economia Popular e
Solidária e Coletivos nos territórios, anunciou Godoy.
O diretor explicou que essa será uma importante resposta ao cenário trazido pela Pesquisa-Ação, que revelou que 60% dos empreendimentos e coletivos não usam ferramentas de gestão como fluxos de caixa, planilhas, ações para precificar produtos e comercialização profissional.
Para Incubadoras e Saúde Mental o diretor disse ainda que o Programa Nacional de Incubadoras e Cooperativas Populares (Proninc) vai contar com chamadas para os empreendimentos de Economia Popular e Solidária, via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), fortalecendo o trabalho das Universidades e Institutos Federais com a Ecosol e outras chamadas públicas envolverão os empreendimentos no diálogo com a Saúde Mental. Godoy destacou que já existem recursos voltados à iniciativa que envolvem as incubadoras. Este ano ocorrerão três chamadas do Proninc: do Ministério da Educação (MEC), do Ministério da Cultura (MINC) e do Ministério da Saúde (MS), informou.
Reconstrução será longa
Mesmo com tantas novidades e projetos, a retomada da Economia Popular e Solidária é um processo longo, alerta Fernando Zamban. “Temos que garantir respostas para três gargalos históricos: assessoramento técnico, comercialização e acesso ao crédito, e às novidades do cenário atual da Economia Popular e Solidária para revigorar os territórios”. O exemplo dado foi o do Edital para Redes de Cooperação Solidária realizado pela Senaes. Zamban lembra que foram 12 propostas aprovadas, num universo de mais de 200 organizações participantes, o que revela a necessidade de fortalecer as redes de cooperação. “Os números do edital são importantes, uma vez que as 12 redes atendem 19 estados e o DF e beneficiam mais de 250 empreendimentos”, contou. Ele afirmou que como o cobertor é curto, os recursos precisam ser orientados para que fique um legado estruturante. “Precisamos avançar ainda com as iniciativas de Finanças Solidárias, levando os seus benefícios para mais territórios. Precisamos articular os sujeitos das finanças solidárias para que cooperem na construção do Sistema Nacional”, defendeu.
Um primeiro passo foi dado ainda em 2025. “Já assinamos um termo de execução descentralizado com a Universidade Federal da Bahia para apoio e suporte na construção do Sistema Nacional de Finanças Solidárias. Todo nosso trabalho e esforços estão conectados com o território. O território demanda e nós respondemos de forma estruturante.” A descentralização deste sistema já tem avançado na região
Nordeste do país, com a construção do Sistema Nordestino de Finanças Solidárias.
Foram citados também como prioritários o CADSOL, os centros públicos, as feiras, os arranjos locais e estaduais, que vão garantir profunda transformações para o setor. E os recursos para tudo isso? Zamban lembrou ao público que a Lei Orçamentária aprovada para 2026 coloca investimentos para atuação da Senaes, mas que ainda são insuficientes e a Secretaria terá uma baixa capacidade orçamentária
em 2026, novamente. “O nosso orçamento é sempre desafiador, o que tem exigido esforços e trabalho intenso da Senaes na busca de mais recursos”, reconhece. O orçamento total da SENAES, para 2026, é de R$ 72,4 milhões. Contudo, 48,2 milhões são de emendas parlamentares impositivas, restando R$ 24.163.315,00 de recurso discricionário, ou seja, com reais condições de governança da SENAES para implementar políticas públicas.
A live foi finalizada pela coordenadora Vanderlúcia Oliveira, com a canção “Semente do Amanhã”, eternizada por Gonzaguinha, que nos rememora: “Fé no que virá, nós podemos muito, nós podemos mais!”
Assista a live: