{"id":33698,"date":"2019-07-29T14:18:54","date_gmt":"2019-07-29T17:18:54","guid":{"rendered":"http:\/\/unicopas.org.br\/?p=33698"},"modified":"2022-03-14T16:32:13","modified_gmt":"2022-03-14T19:32:13","slug":"autonomia-e-palavra-de-ordem-de-milhares-de-margaridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/autonomia-e-palavra-de-ordem-de-milhares-de-margaridas\/","title":{"rendered":"Autonomia \u00e9 palavra de ordem de milhares de margaridas"},"content":{"rendered":"\n<p>Independ\u00eancia. Liberdade. Autogoverno. Autossufici\u00eancia. Emancipa\u00e7\u00e3o. Muitos podem ser os sin\u00f4nimos para a palavra autonomia. Mas, muito mais que um termo, seus significados t\u00eam o poder de transformar a vida de centenas de mulheres Brasil afora, em especial, \u00e0s mulheres do campo, da floresta e das \u00e1guas. Em marcha pelo pa\u00eds ao longo dos \u00faltimos quatro anos, milhares de Margaridas s\u00e3o esperadas na capital federal nos pr\u00f3ximos dias 13 e 14 de agosto. Vindas de todas as regi\u00f5es, elas v\u00e3o florir Bras\u00edlia em busca da garantia de direitos e democracia.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>E se hoje elas t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de conduzir e protagonizar um ato t\u00e3o grandioso como este \u00e9 porque a tal da autonomia j\u00e1 pertence a vida de muitas delas. Mas, para terem as r\u00e9deas de suas pr\u00f3prias vidas e hist\u00f3rias, a autonomia quase sempre vem acompanhada de outro termo: a economia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A autonomia econ\u00f4mica \u00e9 essencial para que as mulheres possam prover seu pr\u00f3prio sustento e decidir sobre suas pr\u00f3prias vidas. Fruto de trabalho e gera\u00e7\u00e3o de renda, falar em autonomia n\u00e3o engloba somente a quest\u00e3o da independ\u00eancia financeira, mas diz respeito, tamb\u00e9m, sobre a liberdade para fazer escolhas.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/unicopas.org.br\/unicopas\/noticias\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/07\/ctg_noticia_850623603_26072019141902.jpeg\" alt=\"mulheres camponesas caminham em marcha em Bras\u00edlia segurando faixa com os dizeres &quot;autonomia econ\u00f4mica, trabalho e renda&quot;\" class=\"wp-image-33699\" width=\"309\" height=\"196\"\/><figcaption>FOTO: Comunica\u00e7\u00e3o CONTAG- C\u00e9sar Ramos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O acesso aos mercados e \u00e0 renda \u00e9 parte necess\u00e1ria para que as mulheres tenham autonomia econ\u00f4mica. Mas ela vai al\u00e9m e envolve, inclusive, o direito garantido aos servi\u00e7os p\u00fablicos \u2013 como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o \u2013 que no atual contexto de retirada de direitos \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil e implica mais gastos. A autonomia econ\u00f4mica envolve tamb\u00e9m a capacidade de decidir sobre os tempos e os recursos e de colocar em pr\u00e1tica essas decis\u00f5es. Muitas vezes a resist\u00eancia dos homens da comunidade \u00e9 um obst\u00e1culo que as mulheres enfrentam para colocar em pr\u00e1tica suas decis\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Falar de trabalho feminino \u00e9, muitas vezes, contextualiz\u00e1-lo com jornadas duplas, quando n\u00e3o triplas. \u00c9 o trabalho fora de casa. \u00c9 o trabalho dom\u00e9stico e o cuidado com os filhos e a fam\u00edlia. Fun\u00e7\u00f5es historicamente atribu\u00eddas \u00e0s mulheres.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A divis\u00e3o sexual do trabalho faz com que as atividades das mulheres sejam vistas como parte do seu papel de m\u00e3e, vinculadas ao trabalho dom\u00e9stico e de cuidados, que inclui a produ\u00e7\u00e3o no quintal, da horta, do pomar e de pequenos animais. Aquilo que \u00e9 produzido nos quintais vai para o autoconsumo, prioritariamente, e o que sobra \u00e9 comercializado. Mesmo gerando alguma renda, o fato desse trabalho ser considerado extens\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico, faz com que ele n\u00e3o seja considerado produtivo e nem seja valorizado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o trabalho na lavoura ou ro\u00e7ado, esse sim, \u00e9 tido como produtivo. O que se produz l\u00e1 vai para o mercado, \u00e9 comercializado, \u00e9 pago. A ro\u00e7a \u00e9 o lugar priorit\u00e1rio de trabalho dos homens. \u00c9 ele quem recebe por esse trabalho e, portanto, \u00e9 ele quem toma as decis\u00f5es. Quando realizado pelas mulheres, esse trabalho \u00e9 considerado apenas uma \u201cajuda\u201d, mesmo que elas cheguem \u00e0 lavoura e saiam junto com seus maridos. \u00c9, portanto, um trabalho n\u00e3o reconhecido e invisibilizado. Apesar disso, estima-se que 45% da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira seja feita por mulheres, de acordo com os dados mais recentes do Censo Agropecu\u00e1rio (IBGE, 2006).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, conforme explicou Iara de Andrade Oliveira, Secret\u00e1ria Nacional de Mulheres da Unicafes (Uni\u00e3o Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solid\u00e1ria), uma das centrais afiliadas \u00e0 Unicopas (Uni\u00e3o Nacional das Organiza\u00e7\u00f5es Cooperativistas Solid\u00e1rias), dependendo do contexto social onde a mulher est\u00e1 inserida, ela acaba sendo impedida de trabalhar. \u201cDesde que o mundo \u00e9 mundo, a mulher sempre foi exclu\u00edda dos espa\u00e7os p\u00fablicos. Conseguimos ter esse acesso h\u00e1 pouco tempo. As mulheres que hoje trabalham fora, a maioria, t\u00eam de cumprir uma tripla jornada e precisam contar com uma estrutura de apoio que d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para que ela possa estar inserida nesses espa\u00e7os\u201d, destacou Iara. \u201cMeu exemplo: para que eu possa ocupar esse cargo, eu conto com toda uma estrutura com rela\u00e7\u00e3o ao meu filho, ao cuidado da casa, que me permite estar aqui. A maioria das mulheres nem sempre pode contar com isso\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mulheres conquistam autonomia e se libertam de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Uma reportagem publicada pelo Brasil de Fato em julho deste ano mostra um belo exemplo de emancipa\u00e7\u00e3o da mulher do campo. Ao ocuparem espa\u00e7os de comercializa\u00e7\u00e3o em feiras da regi\u00e3o onde moram, essas mulheres tiveram as vidas transformadas. Leia um trecho da reportagem:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cHoje ocorre o inverso. Os companheiros nos ajudam a produzir, mas quem comercializa e administra somos n\u00f3s, as mulheres. A miss\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o \u00e9 viver uma vida melhor, porque alguns n\u00e3o queriam deixar as mulheres irem \u00e0s feiras. Mas hoje eles trabalham sem parar na v\u00e9spera para que possamos ir. A nossa inser\u00e7\u00e3o nesses espa\u00e7os mudou muito a nossa situa\u00e7\u00e3o financeira\u201d, afirma Ol\u00e1lia.&nbsp;Com a comercializa\u00e7\u00e3o na cidade, as camponesas conseguiram melhorar a qualidade de vida de suas fam\u00edlias em diversos aspectos. Passaram a mobiliar suas casas e at\u00e9 mesmo a terem acesso \u00e0 internet e \u00e0 tecnologia. Por\u00e9m, segundo Ol\u00e1lia, na ponta desse processo est\u00e1 o que elas consideram o mais importante e uma grande vit\u00f3ria: o fim da viol\u00eancia dom\u00e9stica.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Feiras libertam mulheres da viol\u00eancia dom\u00e9stica no RS. Clique\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/07\/15\/feiras-libertam-mulheres-da-violencia-domestica-no-rs\/?fbclid=IwAR1gLay3WjIxNBy1FukHGWX8YUNfU645KIrT8Cocj-mAQ-EyKv6Efk_1TW4\" target=\"_blank\">AQUI\u00a0<\/a>para ler a reportagem completa. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cQuando se promove a autonomia econ\u00f4mica garantimos o protagonismo das mulheres. Damos possibilidades para que elas reajam a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e busquem ajuda. Cada vez que alguma mulher faz isso, que reage ou denuncia, outras mulheres veem e passam a ter mais coragem para tomar algum tipo de atitude\u201d, comentou Isadora Santos, coordenadora de Projetos da Unicopas.\u00a0\u00a0<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A Marcha das Margaridas \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o protogonizada pelas mulheres do campo, da floresta e das \u00e1guas, realizada pela CONTAG, Federa\u00e7\u00f5es e Sindicatos, e apoiada por 16 organiza\u00e7\u00f5es parceiras, entre elas a\u00a0\u00a0Unicopas. <\/p>\n\n\n<h3 class=\"crp-list-title\">Saiba mais<\/h3><ul class=\"crp-list\"><li class=\"crp-list-item crp-list-item-image-none\"><div class=\"crp-list-item-title\"><a href=\"http:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/agricultura-familiar\/ato-politico-cultural-celebra-os-20-anos-da-marcha-das-margaridas\">Ato pol\u00edtico cultural celebra os 20 anos da Marcha das Margaridas<\/a><\/div><\/li><li class=\"crp-list-item crp-list-item-image-none\"><div class=\"crp-list-item-title\"><a href=\"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/mulheres\/margaridas-na-luta-por-um-brasil-com-soberania-popular-democracia-justica-igualdade-e-livre-de-violencia\">Margaridas na luta por um Brasil com Soberania Popular, Democracia, Justi\u00e7a, Igualdade e Livre de Viol\u00eancia<\/a><\/div><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Independ\u00eancia. 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