{"id":28714,"date":"2019-05-07T12:02:30","date_gmt":"2019-05-07T15:02:30","guid":{"rendered":"http:\/\/unicopas.org.br\/?p=28714"},"modified":"2022-03-14T16:32:14","modified_gmt":"2022-03-14T19:32:14","slug":"na-moda-da-economia-e-do-cooperativismo-solidario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/na-moda-da-economia-e-do-cooperativismo-solidario\/","title":{"rendered":"Na moda da economia e do cooperativismo solid\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>O fim de abril foi marcado pela <strong><a href=\"https:\/\/www.fashionrevolution.org\/south-america\/brazil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fashion Revolution Week<\/a><\/strong>, um movimento que h\u00e1 cinco anos chama a aten\u00e7\u00e3o do Brasil e do mundo para a responsabilidade, \u00e9tica e transpar\u00eancia nos processos de produ\u00e7\u00e3o da moda. Voc\u00ea sabia que a economia e o cooperativismo solid\u00e1rio contribuem diretamente para isso? Confira na reportagem.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi uma, nem duas. Reportagens que mostram o lado obscuro da moda revelam que atr\u00e1s de todo o glamour das passarelas e das vitrines que disputam a aten\u00e7\u00e3o em shoppings centers, existem pessoas, em muitos casos, submetidas a situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas ao trabalho escravo em redes de confec\u00e7\u00f5es. De acordo com <strong><a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/12\/com-amissima-sao-38-as-marcas-de-moda-envolvidas-com-trabalho-escravo-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">reportagem publicada pela Rep\u00f3rter Brasil<\/a><\/strong> em dezembro de 2018, no Brasil, 38 marcas de moda est\u00e3o envolvidas com o trabalho escravo.<\/p>\n<p>\u201cMais de 400 costureiros e costureiras foram encontrados em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0s de escravos no Brasil. A maioria dos casos ocorre em pequenas confec\u00e7\u00f5es terceirizadas. As v\u00edtimas mais comuns s\u00e3o migrantes sul-americanos que trabalham em oficinas em condi\u00e7\u00f5es degradantes. S\u00e3o locais suscet\u00edveis a inc\u00eandios, marcados pela falta de higiene e que muitas vezes tamb\u00e9m servem de moradia aos trabalhadores. Eles recebem valores muito baixos por pe\u00e7a costurada e s\u00e3o submetidos a jornadas exaustivas para conseguir guardar algum dinheiro. Muitos se veem obrigados a trabalharem para pagar d\u00edvidas fraudulentas com os patr\u00f5es para quitar o financiamento da viagem de seus pa\u00edses at\u00e9 o Brasil\u201d, cita a reportagem.<\/p>\n<h3><strong>Economia e cooperativismo solid\u00e1rio: promo\u00e7\u00e3o do trabalho justo e decente <\/strong><\/h3>\n<p>Na contram\u00e3o deste processo de precariza\u00e7\u00e3o e predat\u00f3rio do trabalho, a economia e o cooperativismo solid\u00e1rio promovem, em todo o Brasil, uma l\u00f3gica contr\u00e1ria. Ao inv\u00e9s de promover esse movimento da moda com um vi\u00e9s explorat\u00f3rio, com negocia\u00e7\u00f5es pelo menor pre\u00e7o, ou acirrar o prazo de produ\u00e7\u00e3o para a entrega de uma nova cole\u00e7\u00e3o, na economia e no cooperativismo solid\u00e1rio a palavra de ordem \u00e9 parceria. \u201cAcreditamos no trabalho de parceria e colabora\u00e7\u00e3o no desenvolvimento de pe\u00e7as de moda, n\u00e3o somente produ\u00e7\u00e3o. A gente refor\u00e7a que a ideia n\u00e3o \u00e9 ter clientes, mas criar parceiros porque, desta forma, \u00e9 muito mais interessante, mais perene e relevante para se trabalhar. Faz mais sentido tanto para quem produz quanto para quem vende que pode contar essa hist\u00f3ria com o brilho nos olhos\u201d, conta Julia Asche, da <strong><a href=\"http:\/\/www.designpossivel.org\/sitedp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rede Design Poss\u00edvel<\/a><\/strong>, que faz ponte entre grupos produtivos de diversos segmentos, inclusive os de costura. \u201cAtendemos iniciativas e marcas que prezam por fornecedores mais \u00e9ticos e justos\u201d, explica.<\/p>\n<p>E foi a partir de uma demanda crescente em S\u00e3o Paulo que, em 2015, nasce a <strong><a href=\"https:\/\/m.facebook.com\/CosturaSolidariaSP\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rede de Costura Solid\u00e1ria SP<\/a><\/strong>, atualmente, formada por sete empreendimentos econ\u00f4micos solid\u00e1rios. \u201cExistia uma demanda muito forte de trabalhos feitos em um formato de arranjo produtivo ou em grandes quantidades que grupos pequenos n\u00e3o davam conta sozinhos, mas que de forma organizada e planejada poderiam assumir produ\u00e7\u00f5es maiores e ainda trocar experi\u00eancias\u201d, recorda Julia. Ela destaca que a forma\u00e7\u00e3o da Rede s\u00f3 foi poss\u00edvel devido a um projeto desenvolvido, na \u00e9poca, pela Unisol Brasil (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solid\u00e1rios), uma das centrais afiliadas \u00e0 Unicopas (Uni\u00e3o Nacional das Organiza\u00e7\u00f5es Cooperativistas Solid\u00e1rias). \u201cFoi por meio da articula\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o desses empreendimentos de diversos setores que nasceu a Rede de Costura Solid\u00e1ria SP\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Economia e cooperativismo solid\u00e1rio: protagonismo e autonomia da mulher<\/strong><\/h3>\n<p>Julia Asche conta ainda que encontrou na Rede de Costura SP uma oportunidade de, finalmente, conseguir fazer com que a produ\u00e7\u00e3o fosse mais justa e respons\u00e1vel. De acordo com ela, a maior parte da Rede \u00e9 composta por mulheres que, na maioria, estavam fora do mercado do trabalho. \u201cIsso porque passaram muitos anos cuidando da gest\u00e3o da casa e da fam\u00edlia enquanto os maridos sa\u00edam para trabalhar. Essas mulheres com os filhos maiores puderam se capacitar e constru\u00edram seus neg\u00f3cios\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da Djenane Martins, da <strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/charlotte.arte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Charlotte Arte e Costura<\/a><\/strong>, atual presidenta da Unisol S\u00e3o Paulo. Ela que chegou a pesar 160 quilos come\u00e7ou a ter dificuldades para arrumar um emprego. \u201cAs empresas achavam que eu era um po\u00e7o de doen\u00e7as. Mesmo eu n\u00e3o tendo diabetes, press\u00e3o alta, nenhuma doen\u00e7a relacionada a minha obesidade, elas j\u00e1 me olhavam assim quando ia procurar um trabalho\u201d, relata.<\/p>\n<p>At\u00e9 que um dia surgiu a oportunidade de trabalhar com a vizinha em uma confec\u00e7\u00e3o. L\u00e1, Djenane aprendeu e descobriu sua voca\u00e7\u00e3o para a costura. E foi assim, a partir de um grupo formado por mulheres que n\u00e3o atendiam as exig\u00eancias do mercado, aposentadas, donas de casa, nasceu, em outubro de 2009, a Charlotte Arte em Costura, hoje, especializada em produ\u00e7\u00e3o de brindes sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cA Charlotte \u00e9 uma parte nossa. Aquelas mulheres que montaram um grupo com cinco m\u00e1quinas de costura e duas caixas de papel\u00e3o tinham o desejo de ter um neg\u00f3cio para ter uma renda e hoje temos a consci\u00eancia de que somos um grupo que deu certo. Mulheres que muitas vezes n\u00e3o ganhavam nada e que hoje t\u00eam um sal\u00e1rio digno. Temos reconhecimento de grandes empresas que s\u00e3o nossas parceiras. Aqui, a gente sempre matou o eu para viver o nosso. N\u00f3s somos a Charlotte\u201d.<\/p>\n<h3>Fashion Revolution<\/h3>\n<p>O <strong><a href=\"https:\/\/www.fashionrevolution.org\/south-america\/brazil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">movimento foi criado<\/a><\/strong> ap\u00f3s um conselho global de profissionais da moda se sensibilizar com o desabamento do edif\u00edcio Rana Plaza em Bangladesh, que causou a morte de 1.134 trabalhadores da ind\u00fastria de confec\u00e7\u00e3o e deixou mais de 2.500 feridos. A trag\u00e9dia aconteceu no dia 24 de abril de 2013, e as v\u00edtimas \u00a0trabalhavam para marcas globais, em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>A campanha #QuemFezMinhasRoupas surgiu para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto no mundo, em todas as fases do processo de produ\u00e7\u00e3o e consumo. Realizado inicialmente no dia 24 de abril, o Fashion Revolution Day ganhou for\u00e7a e hoje tornou-se a Fashion Revolution Week, que conta com atividades promovidas por n\u00facleos volunt\u00e1rios, em mais de 100 pa\u00edses.<\/p>\n<p>No Brasil, o movimento atua h\u00e1 5 anos. Durante a Semana Fashion Revolution, e ao longo do ano em eventos pontuais, realizamos a\u00e7\u00f5es, rodas de conversa, exibi\u00e7\u00f5es de filmes e workshops, que promovem mudan\u00e7as de mentalidade e comportamento em consumidores, empresas e profissionais da moda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Voc\u00ea sabia que o cooperativismo e a economia solid\u00e1ria contribuem diretamente para a promo\u00e7\u00e3o da moda sustent\u00e1vel? 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