{"id":12430,"date":"2019-03-19T12:42:20","date_gmt":"2019-03-19T15:42:20","guid":{"rendered":"http:\/\/unicopas.org.br\/?p=12430"},"modified":"2021-06-20T19:32:11","modified_gmt":"2021-06-20T22:32:11","slug":"cooperativa-de-costureiras-da-vida-a-maior-cadeia-solidaria-do-algodao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/cooperativa-de-costureiras-da-vida-a-maior-cadeia-solidaria-do-algodao\/","title":{"rendered":"Cooperativa de costureiras d\u00e1 vida a maior cadeia solid\u00e1ria do algod\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAs mulheres conseguem olhar o seu empreendimento do ponto de vista econ\u00f4mico, mas conseguem, de modo muito especial, cuidar tamb\u00e9m do seu meio, da comunidade. Isso deixa marcas profundas\u201d, disse Nelsa Nespoldo, presidenta da <strong><a href=\"https:\/\/www.justatrama.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cooperativa Central Justa Trama<\/a><\/strong>, uma cooperativa que congrega centenas de trabalhadoras e trabalhadores nas cinco regi\u00f5es do Brasil. A Cooperativa Central Justa Trama \u00e9 filiada \u00e0 <strong><a href=\"http:\/\/www.unisolbrasil.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Unisol Brasil<\/a><\/strong>, uma das centrais que comp\u00f5em a Unicopas (Uni\u00e3o Nacional das Organiza\u00e7\u00f5es Cooperativas Solid\u00e1rias).<\/p>\n<p>Ela que vem de uma fam\u00edlia de pequenos agricultores de Nova P\u00e1dua, hoje emancipada de Flores da Cunha, no interior Rio Grande do Sul, foi uma das protagonistas na trajet\u00f3ria da cooperativa que mostrou que \u00e9 poss\u00edvel produzir com responsabilidade e justi\u00e7a social, princ\u00edpios colocados, de fato, em pr\u00e1tica quando o assunto \u00e9 cooperativismo e economia solid\u00e1ria.<\/p>\n<p>Casada e m\u00e3e de um casal de filhos, Nelsa iniciou sua jornada ainda jovem quando decidiu sair de casa para trabalhar na cidade. \u201cN\u00e3o tinha como os sete filhos ficarem na propriedade dos meus pais. Tr\u00eas foram para a cidade e quatro continuaram na agricultura, sendo que tr\u00eas continuam com os meus pais produzindo uva, cebola, alho, tomate\u201d. Nelsa come\u00e7ou com limpeza em escolas, depois servindo em restaurantes at\u00e9 que um dia conheceu e ingressou em um movimento de jovens da Igreja Cat\u00f3lica. De l\u00e1 para c\u00e1 a milit\u00e2ncia n\u00e3o parou mais. De 1983 a 1986 foi coordenadora do movimento, viajou Brasil afora, morou em S\u00e3o Paulo e em Fortaleza levando a bandeira das juventudes por onde passava. \u201cN\u00e3o importa onde estiv\u00e9ssemos, o compromisso era conscientizar outros jovens. Se estivesse no bairro, a luta era pelas melhorias das condi\u00e7\u00f5es do bairro, se estivesse em f\u00e1bricas, com\u00e9rcios, a luta era por melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Depois de um ano morando em Fortaleza, j\u00e1 casada, ela e seu marido se estabeleceram em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. L\u00e1, Nelsa foi trabalhar em uma f\u00e1brica de alimentos e come\u00e7ou a atuar na luta das mulheres na Federa\u00e7\u00e3o Nacional da Alimenta\u00e7\u00e3o. Mas, j\u00e1 com os dois filhos pequenos, foi demitida. \u201cMe aproximei mais dos meus filhos, passei a me envolver mais nas quest\u00f5es do bairro onde morava e comecei a costurar por conta pr\u00f3pria em casa mesmo\u201d. Na \u00e9poca ela se integrou em um movimento popular comunit\u00e1rio e foi dada a ela a oportunidade de ser a representante da comunidade para, junto com o governo, decidir em quais a\u00e7\u00f5es deveriam ser aplicados os recursos p\u00fablicos. \u201cNa vida, por tudo que j\u00e1 andei e conhe\u00e7o, essa, talvez, tenha sido a minha melhor experi\u00eancia. A mais radicalizada participa\u00e7\u00e3o direta e de decis\u00e3o democr\u00e1tica em que o povo, de fato, decidia onde deveriam ser as prioridades de aplica\u00e7\u00e3o dos recursos p\u00fablicos\u201d.<\/p>\n<p>Em 1996, per\u00edodo em que j\u00e1 se falava em economia solid\u00e1ria no Brasil e algumas experi\u00eancias vinham surgindo, Nelsa, uma vizinha e uma assistente social sentiram a necessidade de que algo fosse feito para as mulheres daquele bairro. Foi a\u00ed que elas tiveram a ideia: podemos juntar outras costureiras e costurar para um grande hospital estadual que fica localizado na mesma regi\u00e3o da comunidade. \u201cFoi a\u00ed que eu comecei a me entrosar com o tema do cooperativismo. N\u00e3o foi uma op\u00e7\u00e3o por entender o que era o cooperativismo, mas como n\u00f3s fomos procurar o hospital para propor essa produ\u00e7\u00e3o, eles nos disseram que ter\u00edamos de ser uma cooperativa ou uma associa\u00e7\u00e3o. Associa\u00e7\u00e3o j\u00e1 tinha deixado uma marca na comunidade de pouca seriedade com recursos p\u00fablicos. Ent\u00e3o, pensar no cooperativismo, mesmo que a gente n\u00e3o dominasse o tema, nos dava algo do entendimento de cooperar, de se ajudar e era isso que a gente estava buscando\u201d. Nascia ali a <strong><a href=\"http:\/\/www.unisolbrasil.org.br\/univens-20-anos-de-historia-e-de-luta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cooperativa de Costureiras Unidas Venceremos, a UNIVENS<\/a><\/strong>, como foco priorit\u00e1rio na gera\u00e7\u00e3o de renda para a comunidade por meio do trabalho coletivo.<\/p>\n<p>Quase 10 anos depois, em 2005, a UNIVENS j\u00e1 contava com espa\u00e7o e maquin\u00e1rio pr\u00f3prios e por meio de um interc\u00e2mbio internacional conheceram a possibilidade de juntar cooperativas de diferentes \u00e1reas para formar cadeias de produ\u00e7\u00e3o. No F\u00f3rum Social Mundial daquele ano elas foram as respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de 50 mil sacolas que envolveu uma rede de 45 empreendimentos econ\u00f4micos solid\u00e1rios de todo o Brasil. \u201cFoi assim que vimos que era poss\u00edvel sim construir e tocar uma cadeia de economia solid\u00e1ria e a Justa Trama surgiu dessa compreens\u00e3o de que, de fato, o coletivo \u00e9 importante. Se hoje fossemos definir qual o valor mais importante desse tipo de economia \u00e9 o de aprender a trabalhar de forma coletiva, desde o processo de produ\u00e7\u00e3o a comercializa\u00e7\u00e3o e de dividir igualitariamente todos os ganhos\u201d.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.justatrama.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Cooperativa Central Justa Trama<\/strong><\/a>, sonhada sobretudo por mulheres, \u00e9 a maior cadeia produtiva no segmento de confec\u00e7\u00e3o da economia solid\u00e1ria, articulando 600 cooperados e associados, em cinco estados: Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Cear\u00e1 e Rond\u00f4nia. O processo, que se inicia no plantio do algod\u00e3o agroecol\u00f3gico, vai at\u00e9 a comercializa\u00e7\u00e3o de diferentes pe\u00e7as, como: roupas, brinquedos, colares e jogos de cama.<\/p>\n<p>\u201cPodemos definir regras, valores e trabalhar de forma coletiva em que todo mundo ganha. Discutimos juntos o valor de cada etapa da produ\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m dividimos os balan\u00e7os no final do ano e as sobras de forma igual entre todos. Desta forma, a gente acredita que estamos enfrentando dois grandes problemas: a distribui\u00e7\u00e3o de renda, porque estamos fazendo uma justa distribui\u00e7\u00e3o de renda onde n\u00e3o h\u00e1 explora\u00e7\u00e3o de um sobre o outro, dividindo os ganhos de forma justa entre todos. Por exemplo, hora de trabalho de Rond\u00f4nia vale o mesmo tanto da hora de trabalho no Rio Grande do Sul e \u00e9 isso que nos faz definir os valores de cada pe\u00e7a. E a quest\u00e3o do meio ambiente, trabalhamos de forma agroecol\u00f3gica. O cooperativismo significa vida, significa princ\u00edpios. N\u00e3o \u00e9 mais s\u00f3 uma quest\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o de renda. \u00c9 um modelo que estamos escolhendo para a nossa vida. \u00c9 maravilhoso pensar que amanh\u00e3 estaremos seguros, dependendo s\u00f3 de n\u00f3s e n\u00e3o dependendo de um patr\u00e3o que resolve trocar a m\u00e3o-de-obra ou discorda de alguma atitude que eu tenha tido e, por isso, me demita. No cooperativismo s\u00f3 dependemos de n\u00f3s. O cooperativismo e a economia solid\u00e1ria significam olhar para a frente e acreditar que, de fato, um outro mundo \u00e9 poss\u00edvel\u201d, destacou Nelsa.<\/p>\n<p>Um mundo reconhecido pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) que, em um dos estudos realizados para o enfretamento da pobreza na Am\u00e9rica Latina, em especial, em planta\u00e7\u00f5es de algod\u00e3o da Bol\u00edvia, da Col\u00f4mbia e do Paraguai, elegeu a Justa Trama como a melhor metodologia para o enfrentamento da pobreza, muito por trabalhar temas relacionados \u00e0 mulher, a inclus\u00e3o e ao desenvolvimento sustent\u00e1vel. A experi\u00eancia foi sistematizada pela ag\u00eancia da ONU na s\u00e9rie \u2018Estudos sobre a cadeia de valor do algod\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e no Caribe\u2019 &#8211; <strong><a href=\"http:\/\/www.fao.org\/3\/a-i6956o.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tramando e transformando: Justa Trama, a cadeia solid\u00e1ria do algod\u00e3o agroecol\u00f3gico<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Conhe\u00e7a a trajet\u00f3ria de Nelsa Nespoldo, presidenta da Cooperativa Central Justa Trama. <\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":5,"featured_media":12431,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"templates\/template-fullwidth-narrow.php","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","footnotes":""},"categories":[38,1],"tags":[44,65,69,75,79,98,106,107],"class_list":["post-12430","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulheres","category-noticias","tag-algodao","tag-cooperativismo","tag-costureiras","tag-economia-solidaria","tag-justa-trama","tag-renda","tag-unicopas","tag-unisol"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12430","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12430"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12430\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35136,"href":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12430\/revisions\/35136"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/unicopas.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}