Sobre a Economia Solidária

Muita gente pode ainda não saber, mas o cooperativismo, quando promovido a partir dos princípios da economia solidária, é considerado uma das principais estratégias para a conquista do desenvolvimento sustentável

Nem todo tipo de economia é solidária

Existem diferentes formas de gerir uma economia. Ciência que consiste na análise de produção, distribuição e consumo de bens de serviço, um determinado modelo econômico pode gerar, por exemplo, desenvolvimento, mas sem sustentabilidade. Impacta negativamente o meio ambiente, fazendo uso predatório dos recursos naturais, com exploração da mão-de-obra.

É um modelo que gera e acentua ainda mais as desigualdades e as mazelas sociais. Por isso, pensar em outro sistema econômico, que trouxesse o desenvolvimento com sustentabilidade se fez urgente e necessário. 

Economia capitalista resulta em desperdício de recursos naturais, combinado com miséria e exploração da mão de obra dos trabalhadores

Edilson Rodrigues/Agência Senado

Edilson Rodrigues/Agência Senado

Cooperação e solidariedade contra a miséria

As primeiras práticas de economia solidária surgem, no Brasil, em resposta à pobreza e ao desemprego em massa do início do século XIX, causado pela chegada do capitalismo industrial.

A introdução e a difusão de máquinas a vapor fizeram com que milhares de trabalhadores e trabalhadoras perdessem empregos e começassem a se organizar em cooperativas e associações.

O cooperativismo e a economia solidária são capazes de promover trabalho digno e decente, com inclusão e justiça social, geração de renda e respeito ao meio ambiente. Além disso, fomenta o desenvolvimento local com autogestão, emancipação e autonomia.

Além disso, o cooperativismo com viés econômico solidário também é uma estratégia de desenvolvimento fundamental para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Agenda 2030, da ONU, em especial, quando relacionado ao combate da pobreza e da fome e na promoção de uma agricultura sustentável com cuidado ao meio ambiente.

Para compreender melhor a relação entre o cooperativismo e a economia solidária com o desenvolvimento sustentável é preciso entender alguns conceitos.  

Economia solidária: o que é?

É um conjunto de atividades econômicas de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito, organizados sob a forma de autogestão. A economia solidária se apresenta como uma alternativa de geração de trabalho e renda, sobretudo às populações mais empobrecidas, a favor da inclusão social.

Existe uma variedade de práticas econômicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações, clubes de troca, empresas autogestionárias, redes de cooperação, entre outras, que realizam atividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, trocas, comércio justo e consumo solidário.

De acordo com o último levantamento do Sistema de Informação da Economia Solidária (Sies), realizado em 2012, no Brasil, existem 19.708 empreendimentos que reúnem 1 milhão 423 mil e 631 associados, em 2.804 municípios. Estima-se que a economia solidária movimenta, por ano, R$12 bilhões.

Economia solidária: como funciona?

Para um empreendimento ser caracterizado como promotor da economia solidária é preciso seguir os princípios da cooperação, da autogestão e da solidariedade. Além disso, as práticas são centradas no ser humano, valorizando a diversidade, o saber e a aprendizagem local, com justiça social na produção e no cuidado com o meio ambiente.

É uma forma coletiva de produção, em que todas as etapas contam com a participação social. Ou seja, as decisões de um empreendimento não são tomadas por uma única pessoa, mas todos, decidem, coletivamente e de forma equitativa, qual é o melhor caminho a ser seguido, qual será o valor do produto e quanto cada trabalhador e trabalhadora vai receber por desenvolver determinado trabalho, por exemplo.

Nesta lógica de desenvolvimento, não existe lucro, existe sobra, que é dividida de forma igual entre todos os membros da cooperativa ou associação, porque tudo foi produzido com o trabalho de todos. E isso promove a distribuição de renda e a justiça social”, esclareceu Lopes.

Conheça os princípios da Economia Solidária

Autogestão

Não há a figura do patrão. Todos os trabalhadores e trabalhadoras participam das decisões administrativas em igualdade de condições.

Cooperação

Ação conjunta para uma finalidade, um objetivo em comum. Contrária à competição.

Solidariedade

União de simpatias, interesses ou propósitos entre os membros de um grupo. Cooperação mútua entre duas ou mais pessoas.

Centralidade no ser humano

A economia e suas formas de produção, troca, distribuição e consumo são pautadas, primeiramente, para o ser humano e seu bem-estar.

Valorização da diversidade

Diversidade cultural, biológica, étnica, linguística, religiosa, entre outros.

Justiça social na produção

Busca o equilíbrio entre partes desiguais, por meio da criação de proteções, em favor dos mais vulneráveis.

Cuidado com o meio ambiente

Promove a conservação e uso racional de recursos naturais na produção. Também fomenta ações de recuperação e educação ambiental.

Valorização do saber local e da aprendizagem

Compreende que o saber é algo construído através do tempo, gerações, vivências e territórios.

Aprender sobre o Cooperativismo Solidário?

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